Mãe que não tinha tempo de fazer a merenda das filhas abre empresa de lanches e vira ‘empreendedora de sucesso’

A rotina de dois empregos e a falta de tempo para cuidar da alimentação de duas filhas foram o segredo para Larissa Souza abrir o próprio empreedimento e mudar de vida. Trabalhando como assistente social, em 2015, a mãe não conseguia arrumar a lancheira das filhas para a escola. Incomodada coma a situação, Larissa decidiu abrir uma empresa de entrega de lanches saudáveis nas escolas em Ji-Paraná (RO). O projeto fez tanto sucesso que a empresa de Larissa já tem mais de 30 franquias, em todas as regiões do país.

Em entrevista ao G1, Larissa relembra que a ideia dos lanches saudáveis surgiu no dia-a-dia de mãe. Como ela trabalhava em dois empregos, chegava em casa já era hora de colocar as meninas para dormir.

Além da qualidade de tempo com as filhas que era prejudicado, a alimentação de Ester, de 6 anos, e Beatriz, de 3, também estava sendo afetada.

“Elas estudam à tarde. Eu chegava para almoçar e arrumava o lanche delas. Tentava o máximo sempre fugir dos industrializados, mas pecava nisso e acabava mandando um pacote de biscoito ou repetia o mesmo lanche por dias. Não era nutritivo”, relembra.

Precisando de ideias para variar o cardápio de lanches das filhas, Larissa decidiu pesquisar o que os pais dos coleguinhas de escola das meninas estavam mandando para o lanche dos filhos.

“Procurei a direção, pois eu queria ideias do que eu podia mandar. Mas, quando eu descobri vi que eles estavam em uma situação igual ou pior que a minha. E não era negligência, era por falta de tempo”, conta.

A mãe conta que a primeira coisa que pensou diante desta situação foi: “eu preciso ajudar esses pais e vou oferecer lanches saudáveis para os filhos deles. E foi aí que começou a idealizar o projeto”, detalha.

Início

Em dezembro de 2015, Larissa começou a pesquisar na internet para descobrir se havia ou não alguma coisa parecida com a ideia que ela teve. “Eu não encontrei nada! ”, afirma.

A mãe procurou ajuda de profissionais na área de empreendedorismo e apresentou a ideia. Ela recebeu incentivos dos profissionais, mas a grana era bem curta.

“Eles disseram que a ideia era uma ideia para virar franquia. Eu ri e pensei: como que isso vai virar franquia se eu tenho apenas R$3 mil para começar? ”, relembra.

Antes de começar oficialmente a empresa, em 2016, ela pediu demissão dos empregos e começou a fazer pesquisas em escolas. “Queria saber o que os pais mandavam, o quanto gastavam, o que os filhos gostavam ou não de comer”, conta.

Com os dados em mãos, a empreendedora ficou mais confiante no negócio que estava começando e fez uma prece diferente. “Eu orei e pedi: meu Deus, não manda muita gente logo de cara, pois eu não vou dar conta. Preciso aprender um pouquinho primeiro para conseguir atender muita gente”, conta.

E, tentando ser muito cautelosa com isso, mandou mensagem apenas para uma amiga dizendo que estava começando um negócio. Apenas na primeira semana Larissa conseguiu 18 clientes. Mas a notícia se espalhou nas redes sociais e na outra semana o número de clientes já subiu para 60.

Franquias

Pouco tempos depois começou a investir em publicidade pelas redes sociais e o negócio começou a aparecer.

“Em poucos meses, comecei a receber ligações para franquear. Eu nem sabia por onde começar, mas, eu já respondia: agora ainda não, mas daqui seis meses vai ter franquia”, relembra.

Mas o processo para tornar o negócio uma franquia não era nada barato. E, mesmo que o negócio estivesse indo muito bem, Larissa ainda não tinha orçamento para conseguir mexer com toda papelada. “Coloquei minha casa à venda. Foram várias pessoas olhar, mas era tempo de crise, ninguém estava comprando nada”, relembra.

Sem dinheiro, correndo o risco de perder o “time” do investimento e ter a ideia copiada, procurou um investidor que entrasse junto com ela no negócio e assim conseguiu fazer toda a documentação necessária para franquiar.

Fonte: G1