Prática de yoga em Centro Socioeducativo é bem recebida pelos adolescentes

Não é somente nos estúdios, academias, espaços holísticos que a prática de yoga acontece em Rondônia. Hoje, há praticantes de yoga também em escritórios de empresas, em estúdios de dança, em parques, lojas, escolas, clubes, e em unidades socioeducativas, como é o caso do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case), na cidade de Ji-Paraná.

Os adolescentes começaram a fazer as aulas de yoga pela iniciativa e voluntariado da professora Lilian Lana, que é graduada em Hatha Yoga e Yogaterapia pela Humaniversidade Holística de São Paulo. Ela estabeleceu parceria com o Centro Socioeducativo para atender aos socioeducandos uma vez na semana e a primeira aula já aconteceu na segunda-feira (21).

A psicóloga do Case, Maria Jaqueline Maestra Teodoro relata que abraçou a parceria por entender que o yoga poderá proporcionar aos adolescentes uma oportunidade de melhorar tanto a saúde física quanto a saúde mental. “Nós do Case nos preocupamos com a ressocialização dos adolescentes, dessa forma acreditamos que o yoga os ajudará tanto em questões físicas quanto em questões psicológicas, ajudando a reduzir os níveis de ansiedade e estresse causados pela internação”, completa.

A professora Lilian Lana explica que a nossa mente geralmente é responsável pelas nossas condutas e muitas vezes, fonte de nossas doenças. Ao aprender a compreender os padrões de pensamento é possível lidar melhor com a forma de pensar, refletindo posteriormente na relação com o mundo. Que os exercícios de respiração e meditação também são partes imprescindíveis nas práticas do yoga.  “Para esses meninos, as aulas vão levá-los ao autoconhecimento, pois vão aprender a desenvolver um olhar para Si, podendo compreender mais a realidade deles, e com essa compreensão, cuidar melhor do corpo e da mente”, finaliza.

Para o socioeducando W.H.B.S, de 17 anos, o yoga é uma novidade boa e ele quer fazer mais aulas. “O negócio que aprendi é que não tinha como relaxar a minha mente e vivia com a mente perturbada. Me chamaram pra fazer essa aula e já fiquei com a mente relaxada.  Quero fazer mais aulas para  esquecer essa pressão em cima da gente, é muito bom, quero participar mais”, comenta.

Com a prática entre os socioeducandos do Case é esperado que aqueles que aderirem ao projeto encontrem uma melhor qualidade no seu estado de saúde física e mental e no sono, já nas primeiras semanas de prática, e que gradativamente melhorem aspectos de socialização e renovação de valores éticos e que assim se coloquem numa situação mais favorável para uma reintegração adequada à sociedade.

Terapias Alternativas

O yoga é uma filosofia de vida, originário da Índia, praticado há mais de 5 mil anos. Sua tradução significa ‘União’ e através de suas práticas se busca um caminho do meio entre o corpo e a mente. Por meio dos movimentos e posturas realizados o corpo aprende a respirar e condicionar a mente a atingir estados mais elevados de consciência, por meio da percepção do corpo e suas características individuais.

A presidente da Fundação Estadual de Atendimento Socioeducativo, Sirlene Bastos é uma entusiasta das terapias alternativas e destaca que o yoga é uma das inúmeras práticas que o sistema socioeducativo pode lançar mão para a melhoria no cumprimento da medida de internação e semiliberdade.

À exemplo desta prática da unidade de Ji-Paraná, em Porto Velho, no Programa Vida Livre, já  são desenvolvidas estas terapias.  “Já assinamos  convênio com a  Associação Cultural e de Desenvolvimento do Apenado e Egresso (Acuda) para dar continuidade à esta e outras atividades como as diversas terapias alternativas reconhecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para atender aos adolescentes”, comenta.

Autor / Fonte: Celene Gomes/Secom